Porque precisamos alfabetizar as crianças no 1º ano

Desenvolvimento das habilidades de escrita e leitura nesta etapa promove equidade no ensino, oportunizando que cada criança tenha mais condições de aprender e avançar na trajetória escolar




Atualmente, no Brasil, mais da metade das crianças chega ao final do 3º ano sem o desenvolvimento esperado das habilidades de escrita e leitura, de acordo com a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA). Quando isso acontece, a trajetória escolar fica comprometida e, não raro, elas começam a repetir a partir do 3º ano.


A distorção idade-série quadriplica, conforme dados do Inep, passando de 3% no 1º ano para 12% no 3º ano – e segue aumentando nos anos seguintes. No 5º ano, por exemplo, é superior a 18%.

Nesta fase também se acentua a evasão escolar. E aqueles que chegam a completar o ensino médio saem sem saber ler adequadamente – é o caso de sete em cada dez estudantes, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica.


Por outro lado, crianças que aprendem a ler e a escrever no 1º ano aprendem mais e melhor, reprovam menos e têm menos chances de abandonar a escola.


Priorização da alfabetização


O 1º ano do ensino fundamental forma a base do aprendizado – e o que se aprende nesta etapa incide sobre os anos seguintes. A Política Nacional de Alfabetização (PNA), inclusive, prioriza a alfabetização no 1º ano como um caminho para se conquistar equidade no ensino, além, é claro, das possibilidades que ela dá à vida de cada estudante.


Vale lembrar que fatores extraescolares também têm influência sobre o desenvolvimento infantil. O ambiente em que a criança se desenvolve, o apoio da família e a chamada literacia familiar – o hábito de viver experiências de escrita e leitura em família – entram nessa lista. De modo, crianças que recebem incentivo para praticar atividades como desenho ou que ouvem histórias de livros antes de dormir, por exemplo, se desenvolvem de forma diferente daquelas que vivem em lares com pouco ou nenhum estímulo cognitivo e socioemocional. Esse “descompasso”, se não atenuado, vai se intensificando nos anos seguintes.



Ao desenvolver as habilidades de escrita e leitura das crianças logo no 1º ano, portanto, é possível aproximar o nível de aprendizado, oferecendo as mesmas oportunidades a todas.


Alfabetização para todos, em rede, é possível


A utilização de um sistema de ensino estruturado, que conta com cronograma compartilhado, materiais didáticos para apoio e acompanhamento de aprendizagem por meio de testagens, por exemplo, favorece o aprendizado conjunto – isso não apenas para uma escola, mas em rede.

O Pacto pela Alfabetização, que consiste na implantação colaborativa de uma política pública para as Redes de Educação, atua dessa forma. Em parceria com as Redes, o Pacto possibilita a alfabetização e o desenvolvimento das habilidades matemáticas fundamentais para o início da vida escolar de cada criança até o final do 1º ano.


A metodologia, orientada por evidências robustas e por resultados comprovados, é desenvolvida pelo Instituto Alfa e Beto – a mesma utilizada nos municípios de Sobral/CE e Teresina/PI, cidades-referência em educação básica, que lideram o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Com o Pacto, a conquista da alfabetização no 1º ano (que inclui o aprendizado de habilidades como decodificação, fluência de leitura, compreensão de textos e oralidade) possibilita que as crianças avancem para os anos seguintes mais preparadas. E o caminho da alfabetização não termina ali, pelo contrário, se torna mais consistente a cada ano, avançando a cada nova palavra descoberta, a cada letra escrita, a cada novo texto compreendido.


Sobre o Pacto

O Pacto pela Alfabetização é uma iniciativa sem fins lucrativos do Instituto Raiar para as redes municipais de Educação do Brasil. Com apoio do Pacto, as redes promovem a aprendizagem das crianças nos anos iniciais, possibilitando a conquista do sonho alfabetização e o cumprimento do direito de acesso à educação básica de qualidade, previsto na Constituição Federal.

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